Veronica Stigger: ‘As frases contêm elementos que fazem o leitor pensar, imaginar o que pode estar ali por trás’

Entrevista concedida por Veronica Stigger ao nós da comunicação sobre Delírio de Damasco:

No livro ‘Delírio de Damasco’ (Ed. Cultura e Barbárie, 2012), a gaúcha Veronica Stigger registrou frases entreouvidas por aí. Captados nas ruas da metrópole, os fragmentos de discurso podem ser enigmáticos, eróticos, divertidos ou vazios, mas sempre intrigantes. “Uma frase deslocada de seu contexto original pode adquirir sentidos renovados”, diz a autora. “Acredito que um certo momento da nossa sociedade está inscrito nessa sequência de frases. Por isso, gosto de pensar que o que fiz foi uma espécie de arqueologia poética do presente.” Confira a entrevista:

Nós da Comunicação – O que revelam os fragmentos de conversas pinçados aqui e ali nas ruas de uma metrópole?
Veronica Stigger –
 Em geral, os fragmentos giram em torno da tríade mais frequentada nas conversas brasileiras (e talvez não só nestas, mas vivemos aqui…): sangue, sexo e grana.

Nós da Comunicação – Como foi o processo de escolha e edição das frases que compõem o livro?
Veronica Stigger – 
Dentre os tantos fragmentos que ouvi por aí, selecionei aqueles que possibilitavam as mais diferentes leituras e aqueles que chamam a atenção pelo inusitado do assunto ou pela maneira especialmente significativa como são ditos. Acredito que um certo momento da nossa sociedade está inscrito nessa sequência de frases. Por isso, gosto de pensar que o que fiz foi uma espécie de arqueologia poética do presente.

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Sopro 87 (abr/2013)

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Teses para a Era Atômica
Günther Anders

A versão aqui traduzida (do inglês) das Teses para a Era Atômica, de Günther Anders, apareceu naThe Massachusetts Review, v.3, n,3 (primavera de 1962), pp. 493-505. Como o leitor poderá comprovar, o texto continua atualíssimo, não só porque a ameaça atômica persiste (e persistirá para sempre), mas também porque há outro “Apocalipse fabricado pelo homem” no horizonte: o da catástrofe ambiental, ligado ao da Era Atômica e ao qual os postulados dessa se aplicam (em ambos os casos, estamos diante de “hiperobjetos”: cf. O hiperrealismo das mudanças climáticas e as várias faces do negacionismo, de Déborah Danowski, no SOPRO 70, abril de 2012).

“Em 6 de agosto de 1945, o Dia de Hiroshima, uma Nova Era começou: a era em que, a qualquer momento, temos o poder de transformar qualquer lugar do nosso planeta, e até o nosso próprio planeta, em uma Hiroshima. Naquele dia, nos tornamos, ao menos modo negativo, onipotentes; mas na medida em que, por outro lado, podemos ser dizimados a qualquer momento, também nos tornamos totalmente impotentes. Dure o quanto durar, mesmo que dure para sempre, essa Era é “A Última Era”: pois não há possibilidade alguma que sua differentia specifica, a possibilidade de nossa auto-extinção, termine jamais – exceto pelo próprio fim.” Continuar lendo>>>

[Novo título] Raul Pompéia. O Ateneu e o romance psicológico, de Araripe Jr.

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Raul Pompéia. O Ateneu e o romance psicológico
de Araripe Jr.

coleção anima | Formato: 88pgs, 14×20
Impresso em gráfica própria, pelo sistema  de cera sólida, e costurado a mão

Preço: R$30,00 [frete incluso] – [Clique aqui para adquirir]

Sobre o livro: Publicado originalmente de forma seriada entre 1888 e 1889, Raul Pompéia. O Ateneu e o romance psicológico foi considerado por Décio Pignatari “um dos poucos ensaios literários de nível internacional que nos legou o século passado [XIX]”. Esta edição em livro do ensaio inclui ainda dois outros textos de Araripe Jr. sobre o autor d’O Ateneu, além da íntegra da crônica Glória Latente, de Pompéia, e do prefácio de Mallarmé ao Tratado do Verbo (livro de René Ghil), ambos cruciais à argumentação do ensaio.

Fragmento: “Ser poeta, apesar de uma reflexão profunda; enlouquecer na análise dos fatos psíquicos; estremecer dia a dia, hora a hora, entre esse fato e a forma exata que o deverá vestir; virar-se pelo avesso, como o pólipo, e mostrar o aparelho interno funcionando a descoberto, numa monstruosa adaptação ao ambiente: eis o espetáculo que mais comove n’O Ateneu, por cuja originalidade não há quem se não deixe vincular.”

Visualização online: clique aqui para ler as páginas iniciais

Sobre o autor: 

Do mesmo autor: Estilo Tropical. A fórmula do naturalismo brasileiro (republicado noSopro 83 – janeiro/2013)

A crítica de Araripe Jr., por Múcio Leão

Leia abaixo trecho de conferência de Múcio Leão sobre Araripe Jr., publicada originalmente no Jornal do Commercio em 28 de agosto de 1955 [De Araripe Jr., a Cultura e Barbárie acaba de editar Raul Pompéia. O Ateneu e o romance psicológico].

A CRÍTICA DE ARARIPE JÚNIOR

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(DO NATURALISMO AO SUBJETIVISMO CRÍTICO)

Conferência feita pelo Sr. MÚCIO LEÃO, no Curso de Crítica da Academia Brasileira de Letras, em 18 de Agosto de 1955

 

ATIVIDADE DE UM ESCRITOR

A atividade espiritual de Araripe Júnior foi vária. Examinando uma sua ficha bibliográfica, vamos encontrando os seguintes gêneros: o conto, representado pelo seu livro de estréia, os Contos brasileiros, editado ainda no Recife, em 1806; o romance, representado ora pela narrativa histórica, nacionalista ou alencariana, do tipo Jacina, a Marabá, que é uma crônica do século XVI[,] do Reinado [Reino] Encantado e do Cajueiro do Fagundes, ora pela narrativa de tendência mais modernas [sic], preocupada com a análise e o diagnóstico do espírito, como Miss Kate; o estudo social ou histórico, como a conferência relativa ao Papado, ou o ensaio relativo ao papel do terror nas solciedades cultas e, enfim, a crítica.

Nesse último terreno, a bibliografia de Araripe Júnior é complexa e dispersiva a mais não poder. Quem quiser dizer que conhece bem a sua atividade de crítico tem de ler os vários livros do gênero que ele editou: a Carta sobre a literatura brasílica, ensaio que lançou aos 21 anos de idade; o José de Alencar, cuja primeira edição é de 1882, mas que apareceu antes nas colunas do Vulgarizador e nas da Revista Brasileira; o Dirceu, de 1890; o Gregório de Matos, de 1894; o Movimento de 1893 editado em 1895; e o Ibsen, editado em 1911.

São livros todos hoje longamente esgotados. Mas, com o favor das traças, o estudioso ainda os poderá encontrar, numa ou outra biblioteca mais zelosa.

A grande dificuldade no estudo desse escritor começa, porém, agora. Terminada a leitura desses livros, o apaixonado de Araripe Júnior, ou o seu simples leitor, tem de mter-se na Biblioteca Nacional, para tomar conhecimento da vasta obra crítica que ele deixou perdida em colunas de velhos periódicos. É uma tarefa difícil, sem dúvida, mas que não pode deixar de ser encarada, dada a extrema importância que têm muitos desses trabalhos. Enumerarei apenas algumas: o estudo relativo às Enfermidades estilísticas da nova geração, que se encontra nas colunas da Semana, em nove ou dez números do ano de 1886; o ensaio relativo ao Naturalismo e Pessimismo, que se encontra em cinco números da mesma revista, no ano de 1887; o estudo relativo a Terra de Zola e ao Homem de Aluísio Azevedo, que se encontra em 25 números do Novidades de 1888; o estudo relativo ao Ateneu de Raul Pompéia, publicado em 19 números do mesmo Novidades, nos anos de 1888 e 1889; tantos outros ensaios, de maior significação na obra do escritor, aparecidos ainda na Semana, ou então no Almanaque Brasileiro Garnier, ou no Paiz, ou no Jornal do Commercio, ou em alguns outros dos inúmeros lugares em que Araripe Júnior colaborou.

É preciso fazer o reparo de que alguns desses trabalhos são imensamente importantes, não só quando referidos à bibliografia de Araripe Júnior, mas quando referidos à própria cultura brasileira. Dois deles – o estudo relativo a Zola e a Aluísio Azevedo e o estudo relativo a Raul Pompéia – têm, ao que posso julgar, mais importância do que todos os livros de crítica que Araripe editou, salvo evidentemente o Ibsen. Porque este, ao que posso também julgar, é um livro único, na bibliografia do gênero, na língua que falamos.

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“Contra notas e aforismos”, por Diogo Guedes

Diogo Guedes comenta as Nouvelles Impressions du Petit Maroc, de César Aira, em sua coluna no Jornal do Commercio (12 de março de 2013).

[ Para adquirir ou obter mais informações sobre o livro (também disponível em ebook), acesse: http://culturaebarbarie.org/nouvelles.html ]


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